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terça-feira, 18 de junho de 2024

NATAÇÃO para PNE-portadores de necessidades especiais

No último dia 30 de maio o PARAJASC aconteceu, para as competições de Natação, nas piscinas da Furb. Vinícius Gabriel, muito feliz, participou mais uma vez do PARAJASC pela APAE-Indaial, sendo que já tinha participado em 2019, quando as competições aconteceram em Gaspar/SC.

A equipe de natação da APAE-Indaial foi acompanhada e treinada, desde o início, pelo professor e fisioterapeuta Ivan Carlos Pereira e assistência do professor Giovani.

As experiências vividas durante os anos de treinamento e fisioterapia com jovens especiais, resultou na Monografia "Paradesporto Atividade Aquática Adaptada como Instrumento de Saúde, Lazer e Inclusão Social", de autoria de Ivan Carlos Pereira, Inez Salvi Valatti, Cezar Giovani Micheli e Marcia Daniela Link Batista, monografia esta que consta na Revista Apae Ciência, v.20, no. 2, jul/dez 2023.Transcrevo aqui partes desta Monografia:

"O Projeto Paradesporto Atividade Aquática Adaptada surgiu como uma ferramenta na busca pela qualidade de vida, saúde, independência e autonomia dos usuários da APAE, no município de Indaial. 
As atividades na água foram divididas de três maneiras, entre estas a atividade aquática adaptada, a qual atende crianças de 0 a 6 anos e adultos com maior comprometimento motor, grupos de hidroginástica e, por último, de natação. Apesar de todas as propriedades físicas e químicas que a água possui no auxílio do desenvolvimento do praticante, a propriedade que mais se destaca é a lúdica. (...) Quando se fala em resultados, a referência, neste caso, seria para a formação de cidadãos e campeões para a vida. Obtiveram-se não apenas marcas e medalhas importantíssimas para os educandos e atletas, mas também foi possível o seu crescimento como cidadãos e suas participações ativas na comunidade e na família."

Preocupados com o sedentarismo, imobilismo, obesidade, sedentarismo e baixa autoestima dos usuários da APAE, e após reuniões com diversos setores da instituição, o método escolhido foi a atividade aquática adaptada.

"O Objetivo: construção de um estilo de vida mais saudável por meio da oferta de atividades de múltiplas vivências, (...)"

"Destaca-se o papel do esporte, que é um importante instrumento de inclusão social, pois tem efeitos positivos sobre a construção de relações interpessoais e ampliação do circuito social dos envolvidos  (Costa;Souza,2004). (...) Além de promover a convivência em grupo, atividades desse tipo contribuem para o crescimento pessoal, para o aprimoramento da disciplina, do respeito ao próximo, par o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiaça e também para a prevenção de doenças como ansiedade, depressão e obesidade." 

A Monografia traz relatos de superação de traumas e adversidades psíquicas e físicas, por portadores de síndrome Stuve-Wedemann, síndrome metabólica Glut e autistas:

"É perceptível como a água age como instrumento facilitador para o desenvolvimento motor, tanto pelas suas propriedades físicas quanto químicas, além de tornar-se instrumento lúdico e de aprendizagem. Nesta fase é de fundamental importância o trabalho em equipe, dentro da piscina, para que cada um complemente o outro, para o alcance de objetivos."




"O desenvolvimento vai além da piscina. Em sala-de-aula, os atletas apresentaram melhor organização de seus pertences, pois devem cuidar das vestimentas específicas de natação e, assim, adquirem mais responsabilidades com seus materiais. Nas atividades pedagógicas, observou-se maior atenção e concentração, tendo em vista que, nos treinos, devem focar em metas e objetivos. Assim, em sala-de-aula, devem manter o foco nos conteúdos e melhorar o seu aprendizado. Com a participação em competições regionais, estaduais e nacionais, podem estabelecer relação espacial, entender para onde vão, qual a região, cidade ou estado e, assim, especificar relações culturais, alimentação e pontos turísticos."

"Fica evidente a independência e autonomia com relação à higiene pessoal, ao cuidado com as roupas, ao material esportivo e ao transporte. Sendo o vestiário um ambiente compartilhado, aprenderam a deixar suas roupas, materiais de higiene corporal organizados, antes e após o treino."

Foram várias as competições em que os atletas da APAE-Indaial participaram, tanto em Santa Catarina quanto em outros estados. E foram muitas as premiações. Vinícius também recebeu medalhas e participa sempre com muito entusiasmo. Desde seus 2 anos de vida tem nadado, mas sempre pela atividade em si, simplesmente. Quando então participou dos treinos na APAE-Indaial , vieram os incentivos para competição e, consequentemente, algumas medalhas. 

E deixo aqui, meu depoimento: pois então Vinícius e eu mudamos de cidade mais uma vez; retornamos à Florianópolis... e a procura por um treinador para o Vinícius foi sem êxito. Quase desisti de inscrevê-lo na natação, em qualquer treino que fosse, não fosse a insistência do Prof. Ivan. então, por dois anos e meio o Vinícius passou a nadar na piscina do Clube XII de Agosto, mas em horário adulto, sem treinador. Mesmo assim, não paramos. Tem sido importante não perder de vista o contato com o Prof. Ivan, pois foi quem proporcionou uma nova visão de mundo, através da natação. Vinícius nadou no PARAJASC, dia 30 de maio. Não recebeu medalha, ficou em 6o, mas recebeu aplausos e abraços dos amigos, do Ivan, do Gio, do pai, que fez questão de vê-lo nadar. Este gesto valeu mais do que qualquer 1o lugar! Medalhas acabam acomodando poeira... mas o abraço do pai, neste dia, ficará eternamente na memória do Vini. Gratidão, Ivan, pelo empenho em levar o Vinicius nesta competição. Parabéns pela Monografia! Um excelente trabalho!




Faz pouco tempo mudamos de piscina e, quiçá, os treinos continuem num nível mais competitivo. É incrível com cuida de seu material, confere a mochila antes do treino e avisa se algo não está ok. Gratidão... é a palavra que melhor define tudo o que temos. 






























sexta-feira, 6 de outubro de 2023

1% Melhor... a cada dia (Chris Nikic e Nik Nikic) - parte 1


"Oi! Tenho aqui um livro que achei pudesse interessar a você. Posso enviar-te um exemplar?"
E então o livro veio pelo Correio... um belo, maravilhoso presente! Gratidão, prima Teresa! Valeu a dica!
O Livro? 

1% Melhor - alcançando todo o meu potencial e como você também pode.
Autor: Chris Nikic e Nik Nikic

O livro conta a história de Nik e seu filho Chris, portador de Síndrome de Down. Os desafios foram vencidos através de treinos e rotinas estipulados pelo pai Nik e Chris foi o primeiro atleta Down a terminar o Mundial de IronMan em Kona, no Havaí. Foram 16 horas, 31 minutos e 28 segundos de braçadas, pedaladas e corrida intensa. O percurso foi de 3,8km de natação em mar aberto, 180 km de ciclismo e 42, 195 km de corrida: uma maratona com total de 226 km.

 Livro na mão, solicitei então, para a amiga Sílvia Brum dos Santos, professora de inglês e tradutora, a tradução do Capítulo 7, do qual transcrevo algumas partes: Vamos fazer mais uma vez 


    Quando Chris e eu retomamos nossa rotina de exercícios em 2018, eu estava lendo bastante sobre o potencial atlético de pessoas com síndrome de Down e descobri vídeos de uma ginasta chamada Chelsea Werner. Ela foi campeã nas Olimpíadas Especiais dos EUA  quatro vezes e duas vezes campeã nos Jogos Mundiais Olímpicos Especiais, para depois seguir carreira de modelo. Assisti a um vídeo dela fazendo flexões, abdominais e giros em barras de equilíbrio e pensei: Puxa vida! Lá estava alguém que podia fazer o que 99% das pessoas não conseguia, quer tivessem alguma deficiência ou não.  As conquistas de Chelsea lhe davam um ar de confiança e poder somadas a sua beleza. Esses vídeos da Chelsea mostravam exatamente o que eu procurava: um exemplo do que as pessoas como Chris conseguem fazer quando têm o privilégio de ter alguém com expectativas mais elevadas para com elas.


    Logo que comecei a pensar dessa forma, uma mulher chamada Victoria Johnson, do escritório das Olimpíadas Especiais da Flórida, nos ligou perguntando se o Chris estaria interessado em entrar para um programa piloto para triatletas. “Nós estamos tentando conseguir atletas que possam fazer o triatlo”, disse Victoria. “Sabemos que é exigir o máximo, mas achamos que nossos atletas podem fazê-lo. O que você acha?" Pensei por um décimo de nanossegundo e respondi que sim. As Olimpíadas Especiais tinham feito um chamado e consegui inscrever alguns atletas, incluindo meu filho. Era hora de tirá-lo do sofá e pra longe dos videogames, e agora ele teria um programa concreto para dar uma estrutura aos seus exercícios.

    Lembro-me de quando dei a notícia para minha família numa noite em que Jacky estava nos visitando. Ela já tinha se formado em Dartmouth, onde estudara economia, design digital e jogava basquete, e tinha voltado para a Flórida. Agora uma personal trainer certificada, ela administrava seu próprio negócio como coach de fitness e nutrição, ao mesmo tempo em que trabalhava comigo como coach de vendas na Otimização de Vendas. Jacky será a primeira pessoa a lhe dizer que a missão dela é ajudar as pessoas a conseguirem o corpo que desejam para se sentirem melhor - e que focar no treinamento de força, em desenvolver o tônus muscular e adotar hábitos alimentares saudáveis é a forma mais segura de atingir esses objetivos.

    “O cárdio simplesmente estraga seu corpo”, Jacky me disse. "Não o deixe entrar nisso! Deixe-o fazer levantamento de peso ou algo parecido."